Um brinde a mim, à comida e ao cocó

Hoje, se eu pudesse, pegava num copo de vinho para brindar.

Hoje desci as escadas do metro e subi as rolantes sem precisar agarrar-me ao corrimão. Hoje caminhei pela rua sem sentir que o chão me estava a fugir de baixo dos pés. Hoje estive de pé parada sem ver os prédios a mexer, sem sentir fraqueza nas pernas e sem sentir vontade de me sentar. Hoje atravessei uma estrada a saltitar.

Hoje tem sido um bom dia. Um óptimo dia.

Não sentia esta segurança e bem estar desde que tive o surto, em Junho de 2016. Isto quer dizer que há 1 ano e 10 meses que eu não me sentia eu. E hoje senti um pouco do que é poder voltar a ser eu.

Hoje estou a 3 dias de completar a minha primeira experiência numa dieta restritiva - duas semanas seguidas a comer só 'uma dúzia' de alimentos (devidamente acompanhada pelo grande mestre Alex - aka Roger) com o foco na regeneração dos intestinos e da barreira hematoencefálica. 

E eu sabia a importância do cocó, eu sabia a importância de comer bem, saudável. Eu sabia a importância da qualidade, a importância na escolha dos alimentos. Eu sabia isso tudo na teoria e agora sei (mesmo) na prática.

Estes quase 15 dias estão a ser a prova real que eu precisava.

No dia em que comecei este 'regime', comecei também um diário. Coloquei todos os sintomas que tenho da EM numa lista e todos os dias pontuo cada um deles. Sintoma como 'atordoada ao levantar' começou esta aventura com uma pontuação de 8 e vai em 2. 

É a pontuação a descer e a saúde a aumentar.

Desengane-se quem pense ao ler estas linhas que isto é tudo o quanto baste. Que é assim tão imediato. É importante termos alguém que saiba e que saiba como nos guiar, e para isso, um profissional qualificado - nada de brincar. Esta minha aventura tem 7 meses. Sete! E por fim vejo resultados. Sinto resultados.

Hoje, se eu pudesse, pegava num copo de vinho para brindar. Mas esta lição eu já aprendi, brindem vocês por mim.