Desanimo, inveja e o Van Gogh

Acabei de arrumar a cozinha e sentei-me na varanda. Preciso ganhar forças para a tarefa a seguir, tomar banho. Ando nisto há 2 semanas, mais cansada do que o costume. Mais desequilibrada do que antes. Vivo com um balde enfiado na cabeça...

É uma luta constante esta de tentar fazer uma vida dita normal. E por vezes - desta vez - a doença leva a melhor.

Sintomas como este dão cabo da cabeça. É uma canseira. E por mais que se tente manter a calma e seguir caminho, esta minha amiga faz vir ao de cima o pior dos sintomas: estado depressivo.

Sabem a história de Van Gogh (ou pelo menos uma dela)? Que cortou a orelha porque vivia com um zumbido no ouvido? Aqui não é muito diferente. São sintomas que podem enlouquecer. A mim apetece-me cortar a cabeça. Desaparecer. Ir embora. Desistir.

Nestes últimos dias deito-me com a mesma esperança: amanhã estará melhor. Porque é a dormir que o corpo se regenera, hoje dormi 10 horas. Acordei igual, aos tombos até à cozinha. A arrastar-me. A ver a minha casa a mexer.

Não tenham pena de mim que eu só estou aqui a escrever porque preciso de deitar fora o veneno que aqui vai dentro e acredito que é sempre uma boa terapia.

E em modo terapêutico também, esta semana fui visitar a (outra) Ana que é dona de uma loja de produtos naturais aqui perto de casa e que - vejam lá a coincidência da vida - também tem EM. E hoje penso muito nela porque em conversa percebi que o cansaço também a ataca, a impaciência, por vezes o desanimo mas há coisa que não tem: desequilíbrio e esta coisa de ver o mundo mexer. E eu sento-me aqui cheia de inveja.

É isto. Sento-me aqui na varanda com este resumo: desanimo, inveja e um sentimento de proximidade com Van Gogh.

E nisto estou quase a ter um ataque de riso.

O bom da terapia da escrita é que quando relemos, tudo ganha uma outra perspectiva. E por vezes vemos o quanto ridícula é.

Sempre dá um certo humor à 'desgraça'.