Quando o óbvio é uma surpresa

Esta semana foi dia da consulta com o neurologista e surpresa das surpresas: tenho EM e devo continuar com as injecções para o resto da vida. E eu que racionalmente sei disso, saí de lá muito sentida, muito triste e realmente surpresa.

- E diga-me, os sintomas que ainda tenho desaparecem? Os do surto?
- Provavelmente, como já fez 1 ano, não!

É engraçado mas não deixo de me sentir defraudada. A minha vida mudou, tenho cuidado com o que como, com os ciclos de sono, protejo-me do calor, do stress, das ansiedades. Ocupo-me com algo que amo de paixão, sem ser demasiado consativo. Tomo vitaminas, bebo água, como vegetais e fruta. Desligo o telefone para dormir. Deixei praticamente de usar químicos na pele.

E no fim de contas ainda tenho EM.

E terei, para todo o sempre. De alguma forma espera-se que seja um ciclo com princípio, meio e fim. E como está quase a fazer 1 ano do meu valente surto e não voltei a ter outro, achei que estava a concluir esse ciclo.

Como diria o meu gajo, caiu-me a ficha naquele momento. Outra vez.

E se tudo continuar a correr bem como até aqui, daqui a 6 meses vai provavelmente acontecer o mesmo. Vou à consulta e ele dir-me-á, tem EM. E eu vou ficar com o coração pequenino. Porque acho que isso nunca vai mudar. Cada vez que tomo consciência do que tenho fico triste. Felizmente mal ou bem, lembro-me todos os dias do que tenho, mas não penso muito o que isso quer dizer.

E assim se vai levando a vida.

Tento por tudo concentrar-me no essencial: está a fazer 1 ano e contra todas as expectativas não voltei a ter um surto. Está a fazer 1 ano e eu deixei de viver uma vida de stress, de má alimentação, de excesso de horas de trabalho e de ansiedades. Está a fazer 1 ano e a minha vida hoje é infinitamente melhor do que há um ano atrás.

Está a fazer 1 ano da minha amiga que será parte da minha vida para sempre e no essencial eu só tive a ganhar.