Pensamentos sem filtro

No outro dia falava com as minhas companheiras de yoga sobre esta coisa de ser professora. Uma delas dizia que uma aluna tinha ficado chocada quando ela depois de jantar saiu para ir fumar um cigarro. Perante o choque, ela explicou-lhe que todos nós temos coisas a melhorar e que não é pelo facto de sermos professores de yoga que somos super-homens-sem-defeitos.

Para mim esta conversa foi demais especial porque eu sei o que é pedir a nós mesmo e aos outros perfeição. Eu sei o que é achar que um professor de yoga é um ser iluminado e perfeito. Não foi à toa que eu durante muito tempo achei que não podia dar aulas de yoga visto não ter atingido ainda a minha perfeição.

Um disparate, agora eu sei.

Para mim foi preciso a EM na minha vida para compreender que a perfeição não existe ou que existe exactamente na imperfeição. Que o caminho faz-se caminhando e que estamos todos juntos nisto.

Foi exactamente num dos pontos altos da minha doença que cheguei ao ponto de não esperar perfeição dos outros, muito menos de mim mesma. E como tal, compreendi que para se ser professora de yoga não podemos estar à espera de atingir um estado de iluminação, caso contrário, o sentido do yoga deixaria de fazer sentido.

Tal como um professor de yoga ser eternamente um aluno e necessitar sempre da sua prática. 

Para mim hoje em dia dar uma prática é estar a oferecer aos outros um espaço e um tempo só deles. Ajudá-los, dentro do meu ainda fraco conhecimento, a praticar de forma correcta mas também incentivá-los a procurar sempre mais conhecimento. Transmitir que isto do caminho do yoga, é um caminho muito pessoal mas de extrema partilha ao mesmo tempo.

E pouco mais posso partilhar visto que eu mesma estou em fase de descoberta e desconfio que estarei até ao fim dos meus dias.

Compreender isto apaziguou-me quanto ao facto de ser professora (*) de yoga. Não espero a minha perfeição assim como não espero dos outros o mesmo. Sei que estamos todos a fazer um caminho (ou vários) onde procuramos corrigir algumas coisas, descobrir outras, melhorar, aperfeiçoar mas principalmente viver.

Não sou e não pretendo ser uma perfeição sem imperfeições. E acima de tudo, deixei de ter vergonha das coisas que gostava de melhorar. Não me castigo por isso, não me julgo por isso. E daqui também não julgo ninguém. Só penso, esse alguém está a fazer o seu caminho da melhor forma que conhece e consegue. Quem sou eu para julgar?

Quando ficamos chocados porque uma professora de yoga vai fumar um cigarro a seguir ao jantar, estamos a julgá-la e muito provavelmente costumamos fazer o exercício de nos julgarmos a nós mesmo. Somos terríveis connosco.

Que sentido isto tem? Principalmente no caminho do Yoga, que sentido tem julgar?

(*) uso a palavra professora por ser um conceito mais universal. Não me considero professora mas sim facilitadora de um tempo e espaço dedicado ao yoga.