Está tudo bem

Hoje acordei com uma grande angústia em relação à minha vida, ao meu futuro. Provavelmente porque sonhei que tinha sido internada. Quando adoeci, rápido percebi que a mudança de vida era inevitável. O surto tinha sido como um grito do meu corpo. Mas só agora começo a compreender a dimensão dessa mudança. Caiu-me a ficha.

Durante 15 anos trabalhei na imprensa com tudo o que isso implica: desafio, horas afim de trabalho, refeições que não se faziam e muitas vezes chegar a casa depois da meia-noite. Também foi muito gratificante e sinto-me orgulhosa do meu percurso. Mas a EM diz-me que assim não dá.

Eu digo-lhe: tudo bem, vamos lá mudar. E numa primeira fase da minha reorganização, achei que sim, que havia mudanças a fazer, mas que seria só uma adaptação. Mentira.

E por isso hoje, confrontada com uma mudança radical, a minha cabeça encheu-se de medo. Como vai ser o meu futuro? A forma como sempre consegui fazer dinheiro para me sustentar já não pode ser usada. O que vou fazer?

A escolha não é livre, tem limites. Não pode ser frente a um computador, não pode ser com horários completos de 8 horas por dia, não pode ser num ambiente de stress. Precisa estar adaptada às minhas limitações.

Não tenho resposta para mim e neste momento sinto-me aterrorizada.

Tento manter-me positiva, sempre. Tento concentrar-me no bom: há 6 meses atrás estava pior. Tento concentrar-me no que realmente importa: a tua saúde primeiro. E tento acreditar na máxima que tudo se resolve. E que tudo passa.

Hoje resta-me sentar no meu tapete a apaziguar a alma e confiar que as respostas chegam. Por vezes pode parecer que não é o caminho certo, por ser turvo e sinuoso, mas até aqui também não foi. E eu estou bem. No mais íntimo de mim, eu estou bem.