(Foi um) feliz Natal

Pela primeira vez na minha idade adulta posso dizer que tive um Natal mesmo feliz. Não que os outros não tivessem sido felizes, eu é que fazia deles um problema. A começar por querer estar com toda a gente de quem gosto e por me sentir culpada por não estar, passando pelo stress das prendas e dos afazeres e terminando numa pequena tristeza à noite por aqueles que já partiram. Depois casei e foi ainda pior. Tive de, pela primeira vez na minha vida, não passar o Natal em casa com a minha mãe, a minha avó, os meus irmãos, o meu pai-drasto... foi difícil. Doloroso até. Tornava o Natal um problema e nunca uma coisa boa.

Este ano tudo mudou e mudou para melhor.

Também não passei o 24 com a minha mãe (e etc.). Passei na minha casa com a minha família do lado do meu gajo. E foi bom. E depois fui no 25 à minha avó, com a minha mãe (e etc.) e foi óptimo.

Não se trata das circunstâncias mas sim do nosso intímo. Se eu gostava de ter todos juntos no 24 e no 25? Gostava. Mas este ano percebi que o que eu mais gosto é de saber que as minhas pessoas estão de boa saúde e felizes, quer estejam ao pé de mim ou longe.

E estavam. E isso bastou-me para me sentir feliz. E pude estar com (quase) todos e soube-me pela vida.

A EM embora seja uma doença para a vida é também uma companhia que me faz lembrar o que realmente importa na vida. E depois há sempre aquela hipótese de eu amanhã não estar como estou hoje e por isso mais vale aproveitar. E eu aproveitei.

No dia 25 quando me deitei disse ao meu gajo: 'foi um bom Natal'. E foi. Foi um feliz Natal e eu estou muito grata por isso.