Comer pela minha saúde

Não faço segredo do facto de ter sido diagnosticada há 2 anos atrás com esclerose múltipla – até pelo contrário. Primeiro porque me faz bem escrever sobre o assunto (o que sinto, como correm as coisas, etc.), e depois porque penso sempre que a minha experiência pode sempre ajudar alguém. Mais que não seja para que percebam que não estão sozinhos neste caminho.

Do que escrevo, pouco é sobre a forma mais prática com que lido com a doença. Tudo porque acho que é de uma responsabilidade maior do que eu consigo lidar. Ainda assim, vou abrir uma excepção.

Em Agosto fez um ano que não faço qualquer tipo de medicação para a esclerose múltipla – aliás, nenhum tipo de medicação, ponto. Mas vamos por partes.

Adoeci em Junho de 2016 e comecei a fazer medicação (injecções) em Agosto. Sofria horrores com essa medicação que me atirava para a cama durante 2/3 dias a seguir à toma. Durante esses mesmos dias os sintomas da doença agravavam. A acrescentar a isto um dos efeitos secundários dessa medicação era sintomas depressivos: fui portanto medicada com ansiolíticos, anti-depressivos e consultas regulares de psiquiatria.

Quase 1 ano depois, em Março de 2017 uma amiga escreveu-me para me dar a conhecer um Naturopata com bastante experiência a acompanhar doente com EM (entre outras patologias), o famoso - para mim - Alexandre Reis, aka Alex. Eu, em fase ainda bastante desesperada na minha relação com a doença marquei de imediato.

Não tinha qualquer conhecimento ao que ia. Mas fui.

A primeira consulta não foi incrível a começar comigo a chegar super atrasada. Falámos um pouco a correr sendo que eu nem sabia o que esperar do lado de lá. Mas claro, tal como acontece na nossa relação com a medicina e com a nossa saúde em geral, estava à espera que aquela pessoa, do lado de lá da secretária, me salvasse.

Que disparate!

Depois da consulta recebi o meu tratamento por e-mail: sete folhas com alimentação, estilo de vida, prática desportiva e alguma suplementação. Fiquei de olhos em bico, principalmente com a questão da alimentação. Resumindo, mais do que retirar aquelas coisas que são já do conhecimento de todos (açúcar, fritos, farinhas, etc.), a lista de coisas a acrescentar era gigante (para mim) e cheia de itens que eu desconhecia por completo. Li, reli, interiorizei duas ou três coisas e pus a lista de lado.

Contudo, tal como acontece com a maioria das pessoas que está habituada a gerir a sua saúde com medicação, apressei-me a ir comprar a suplementação. Também comprei dois ou três dos alimentos sugeridos e pouco mais.

E sentei-me à espera de melhorar - que disparate parte II

De Março a Agosto são 6 meses e eu com leves melhorias decidi levar isto mais a sério. Comecei a investigar, li livros (alguns emprestados pelo Alex), troquei muitos e-mails com ele (obrigada!!!), li artigos na net e pensei. Pensei muito sobre o conceito de doença e de saúde.

E como o Universo é de uma perfeição incrível, foi também nessa altura que me caiu nas mãos um pequeno livro (tratado da Naturopatia) que explica de forma muito simples um conceito diferente para nós, sobre doença por um lado e sobre saúde pela via da Naturopatia. Aquilo ecoou em mim.

Foi também em Agosto desse ano que fiz 40 anos e fiz um retiro budista de 3 dias, sozinha. Era para mim uma altura de balanço mais do que de comemoração - há 1 ano que vivia com EM e ainda estava em recuperação do surto. E, durante os dias em que estive no retiro, calhava o dia da injecção. Quando fui, essa decisão, vejo agora, já estava intimamente tomada e não levei a injecção comigo – foi quando deixei oficialmente de tomar medicação, embora não assumindo totalmente e a toda a gente.

Esclareci algumas das muitas dúvidas que tinha com o Alex e em Setembro fui de férias em família com toda uma forma diferente de abordar o comer. Mas não perfeita.

Algures em Maio deste ano senti que necessitava de mais impulso nesta mudança. Reli o pequeno livro de que falo algumas linhas acima e a minha atenção prendeu-se no conceito de dietas restritivas e lá fui eu aborrecer o Alex uma vez mais com as minhas dúvidas e acima de tudo saber a sua opinião.

- É óptimo, disse-me ele.
- Vamos a isto então.

Fiz 1 mês seguido de dieta restritiva. E nos meses que se seguiram até hoje faço 90% de dieta restritiva e 10% de dieta normal com 2% de disparate. E sinto-me, não incrível (ainda!) mas incrivelmente melhor do que há 6 meses atrás. Sem dúvida.

Resumindo: Em Setembro comemorei 1 ano em que faço uma alimentação diferente – de acordo com a minha patologia. Essa mudança criou mudanças em mim absolutamente incríveis: energia, melhoria nos sintomas, animo, etc.. A minha relação com a comida nunca mais será mesma. E ainda bem.

Foi mudando e mudando. Fui conhecendo e aprendendo sobre os alimentos. Risquei completamente muitos que faziam parte da minha vida desde sempre. Abracei totalmente outros.

Sei que é uma jornada. E aprendi principalmente que, a nossa saúde não pode estar exclusivamente nas mãos do médico. Temos de ser responsáveis a todos os níveis. E não podemos desmembrar o nosso corpo. Ele é um todo.

Vamos a balanços: zero surtos de EM, 1 ano sem uma constipação, uma gripe ou algo semelhante. Flora intestinal 90% equilibrada. Desequilíbrio de 1 a 10: 2 – este ano entrei no mar sozinha e fiz as pazes com a praia e com o Verão. Kms que faço a pé diariamente sem excepção: entre 2 e 4, fora extras. Dormências: 0 – excepto picos de cansaço. Animo de 1 a 10: 10, excepto com TPM. Medicação: 0.

Acima de tudo: sensação de que a minha saúde está nas minhas mãos para o bem e para o mal - 100%.

Dito isto, e passo a publicidade, o meu querido Alexandre (aka Alex, aka Mestre, aka Roger), a quem sou eternamente grata por me ensinar tanto, estará no Dhara Yoga & Mind Center a fazer um workshop sobre Alimentação de Outono (hoje é 1º dia de Outono - pura pontaria a minha) com direito a almoço delicioso e saudável.

E eu seria uma verdadeira egoísta se não fizesse um grande alarido disso.

Mais informações aqui e aqui.